terça-feira, 9 de junho de 2015

01 de Maio de 2015.

Diário de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 38:

Eu imagino que vocês conheçam a sensação, a ansiedade, a agonia de acordar à espera de um "bom dia".
Eu sei, minhas amigas sabem, uma galera sabe. A tecnologia tem redesenhado as relações. As máquinas finalmente dominaram o mundo, nos dominaram.

Eu tive quatro namorados. O primeiro em uma época que nem tinha sinal de celular na minha cidade. O segundo quando pra conversamos mais intimamente usávamos os depoimentos no Orkut que demoravam um tempo pra atualizar. O terceiro, ah o terceiro, foi o grande divisor de águas. Na época comecei usar o WhatsApp e ai, meu bem, a sorte estava lançada. Cada mensagem não respondida, cada demora, cada vácuo que senti foi me deixando mais doida e mais traumatizada. A ponto de ter raiva do namorado número quatro que era desencanado de celular e não me mandava "bom dia" todo dia. 
E, mesmo depois de começar a enviar, eu ficava brava porque sabia que era forçado, afinal eu havia reclamado. Também sentia raiva quando alguém me enviava um joinha, afinal o número 3 usava deste emoticon pra me fazer parar de resmungar. E, até hoje, detesto quando alguém me envia.

Eu sei, minha gente, preciso de terapia. Mas imagino que não seja a única, vejo muitos casos parecidos com o meu por aí. Gente que tenta decifrar o outro pelo tempo que leva pra responder a mensagem, pela quantidade de emoticons, pelos áudios, pelas coisas ditas e não ditas.

A verdade é que nos tornamos todos uns desesperados por atenção... Se eu digito um termo no Google levo segundos para ter infinitos resultados, não vou ter paciência para esperar a resposta de alguém. Não? Bom, tenho que ter paciência sim!

Conheço um cara que já citei aqui algumas vezes que diz: o WhatsApp está sendo usado errado, não é pra ficar conversando o dia todo com alguém e substituir um encontro de verdade.
E ele que tá certo! Nós perdemos um tempo danado digitando e gravando áudios, daí não nos resta tempo para encontrar o outro. 

O resultado disso é que a relação é super legal virtualmente, mas quando se torna de verdade, tête-à-tête, é um horror porque não sabemos mais como agir.

Eu comecei este texto querendo dizer que o melhor de se estar solteira é que eu nunca mais tive a ansiedade pela espera dos cumprimentos de ninguém, também não preciso mais me preocupar com a bipolaridade das outras pessoas, além da minha. Mas o desabafo acabou tomando um caminho diferente.

Hoje é feriado e desde que acordei estou na cama usando todas as redes sociais que tenho direito.
Vou tomar banho e sair... Afinal, é lá fora que a vida acontece.
Beijo, beijo.

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