terça-feira, 9 de junho de 2015

06 de Maio de 2015.

Diário de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 43:

Nós somos resultado da luta da mulher pela conquista de seus direitos, de sua autonomia perante o homem e liberdade diante da opressão baseada em normas de gênero.
Isso quer dizer que eu só pude sair da casa dos meus pais para estudar e não para casar, que trabalho, que moro sozinha, que tenho uma certa independência, porque um monte de mulheres se revoltaram contra relações desiguais, lutaram e morreram por uma causa.

A partir daí tornou-se admirável a mulher que rompeu com o padrão patriarcal e passou a fazer suas próprias escolhas.
Citei duas palavras que andei pensando ultimamente: PADRÃO e ESCOLHA.

Padrão é um modelo a ser seguido, um exemplo a ser copiado.
Escolha é optar por algo, selecionar, decidir.

Acrescento a minha palavra preferida nesta divagação: LIBERDADE.

A liberdade é necessária para que exista respeito diante da escolha que rompe o padrão.

Mas qual a ligação disso com a emancipação feminina?
É que, aparentemente, formou uma ideia de que para ser considerada vitoriosa a mulher deve romper as barreiras do machismo e "vencer na vida". Quando uma mulher resolve romper com este padrão e escolhe casar e ter filhos ela é diminuída pela mentalidade coletiva.

Muitas de nós olhamos com cara de "coitada, está adiando a vida" quando opta por cuidar de um bebê.
Afinal, somos a ~incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer ~ como andou circulando num texto pelas redes sociais.

Pensar de uma forma tão restritiva assim me chateia enormemente. Primeiro porque eu não fui criada para ser ou não ser o que um homem quer, e sim para ser o que eu quero, de acordo com minhas próprias expectativas. Segundo, tem homem que gosta de mulher que sabe cozinha, mas também cozinha se a mulher não souber. Eu não sou a melhor cozinheira do mundo, mas sei me virar e não acho legal uma mulher que fala "não sei nem fritar ovo" como se fosse um tapa na cara de homens machistas. É só uma coisa que você não sabe fazer, morra de fome ou pague pela sua comida. Terceiro, e daí que eu não me vejo sendo mãe? Não sou superior por isso. Uma das minhas amigas mais conscientes casou ano passado e teve um filho este ano. Isso não faz dela uma mentecapta. Quarto, cansei de numerar. hehe

Portanto, acredito que se quer casar, que case. Se não quer, ok. Quer ter filho, não quer... Isso não pode nos diferenciar, nem separar. Não dá ficar criando padrão pra tudo e colocar as pessoas em caixas etiquetadas.

No mais, sempre lembro de uma frase que me faz olhar para o diferente de mim com bons olhos:

Quando padrões são quebrados, novos mundos são criados.

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