Diário
de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 28:
Hoje foi daqueles dias que o desespero de ser sozinha bate na nossa porta e a única coisa que a gente faz é chorar.
Enquanto faxinava minha casa, ao pegar um espelho, a moldura escapou e a quina dele bateu nessa região entre o indicador e o dedão. Não doeu, mas quando abri a mão esguichou sangue no meu armário branquinho. Lembrei-me da minha vizinha e corri enquanto o sangue pingava.
Aqui quero abrir um adendo e elogiar o atendimento do pronto socorro, que estava cheio, mas eu não tive que esperar nem um pouquinho.
Enquanto levava os 7 pontos e não parava de escorrer sangue na maca eu fiquei pensando em várias bobeiras... Meu cabelo sujo, minha casa desorganizada, a academia, o trabalho, a bike que virou meu meio de transporte, a comida que eu mesma faço, minha unha descascada, e a dor.
Sempre fui meio que metida a independente, troquei gás, chuveiro, lâmpada e não sou do tipo que espera alguém fazer algo por mim, não tenho paciência.
Mas agora me vejo aqui digitando com uma mão só e sentindo a anestesia indo embora, depois de tomar o banho mais difícil da minha vida (quando eu dava PT nas festas sempre tinha um amigo pra me dar banho)... Sei que parece um drama desmedido, mas quando me vejo nessas situações de dependência sem ter de quem depender me sinto sozinha pra caRvalho.
Claro que me sinto grata... Foi um corte só, todos os meus membros estão no lugar e logo voltarei à minha vida normal. Muita gente não tem a mesma sorte.
Mas é incrível como um acontecimento faz a gente pensar em taaanta coisa.
Enquanto isso, fico olhando pra pulseira do hospital que não consegui cortar de jeito nenhum.
Dia 28:
Hoje foi daqueles dias que o desespero de ser sozinha bate na nossa porta e a única coisa que a gente faz é chorar.
Enquanto faxinava minha casa, ao pegar um espelho, a moldura escapou e a quina dele bateu nessa região entre o indicador e o dedão. Não doeu, mas quando abri a mão esguichou sangue no meu armário branquinho. Lembrei-me da minha vizinha e corri enquanto o sangue pingava.
Aqui quero abrir um adendo e elogiar o atendimento do pronto socorro, que estava cheio, mas eu não tive que esperar nem um pouquinho.
Enquanto levava os 7 pontos e não parava de escorrer sangue na maca eu fiquei pensando em várias bobeiras... Meu cabelo sujo, minha casa desorganizada, a academia, o trabalho, a bike que virou meu meio de transporte, a comida que eu mesma faço, minha unha descascada, e a dor.
Sempre fui meio que metida a independente, troquei gás, chuveiro, lâmpada e não sou do tipo que espera alguém fazer algo por mim, não tenho paciência.
Mas agora me vejo aqui digitando com uma mão só e sentindo a anestesia indo embora, depois de tomar o banho mais difícil da minha vida (quando eu dava PT nas festas sempre tinha um amigo pra me dar banho)... Sei que parece um drama desmedido, mas quando me vejo nessas situações de dependência sem ter de quem depender me sinto sozinha pra caRvalho.
Claro que me sinto grata... Foi um corte só, todos os meus membros estão no lugar e logo voltarei à minha vida normal. Muita gente não tem a mesma sorte.
Mas é incrível como um acontecimento faz a gente pensar em taaanta coisa.
Enquanto isso, fico olhando pra pulseira do hospital que não consegui cortar de jeito nenhum.
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