Diário de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 51:
Certa vez cantou Renato Russo
“Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia ainda é cedo”
Desta forma, ele exemplifica o problema da maior parte dos relacionamentos a dois.
As pessoas escolhem entrar em uma relação sem pesar as coisas, sem racionalidade. É claro, a gente se apaixona e enxerga um príncipe encantado. Fica difícil mesmo colocar a vida numa balança. Mas tenho a impressão que nós saímos numa debandada – totalmente desgovernados – esperando que alguém nos lace.
Outro ponto é que somos criaturas carentes, de atenção e de afago, e procuramos no outro a resposta para a solidão que existe em nós. Reparem como existem vários casais por aí vivendo distantemente enquanto estão juntos, cada um nos seus respectivos celulares, olhando para os lados, ainda sozinhos.
É fácil falar que tem alguém, difícil é estar com alguém.
Aí que uma pessoa que se sente perdida encontra outra pessoa igualmente perdida e acha que se encontrou, acha que encontrou alguém para dar sentido à própria existência. E vai tentando se enfiar em cada espacinho vago na vida do outro, aceita os prazos e compromissos do outro. E se anula, se esquece.
É claro que em algum momento o incômodo por esta mudança tão silenciosa acaba surgindo, mas ela lembra do furor dos primeiros dias, da sensação de plenitude, e tem esperança. Acredita que as coisas voltarão a ser como antes e que, realmente, ainda é cedo pra seguir.
Que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso.
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