terça-feira, 9 de junho de 2015

20 de Abril de 2015.

Diário de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 27:

As pessoas me falam: Carla, você ainda vai encontrar o amor.
Eu olho pra elas como quando vejo aqueles anúncios de "Trago o seu amor em tantos dias".

Ontem, indo para casa dos meus pais fiquei viajando sobre a concepção das pessoas sobre o amor.
Eu não sei vocês, mas eu acho, minimamente, errônea esta visão de que o amor é encontrado em um desconhecido que entra na nossa vida do nada.

A gente passa uma vida inteira buscando por algo que tá dentro da gente!
Eu sei, vocês me dirão que estou repetindo um clichê. Mas, sério, pensem como nós vivemos em busca do amor da vida.

Aí, eu fico pensando nos meus pais que escutam quando quero resmungar e sempre me acolhem e a gratidão que sinto sempre que olho para eles. Penso na minha irmã adolescente que eu tento agradar porque ela vive meio brava. Penso na vontade de chorar e levar pra casa os bichinhos da rua. Penso na vendedora da loja de presentes perto do meu trabalho que sempre tem uma história e um aprendizado para mim, mesmo mal me conhecendo. Penso nos sábados que saio para andar nesse sol africano para ver coisas para o apê da minha amiga toda feliz, porque sei como é importante pra ela. Penso no garoto que é igualzinho a mim e me dá orgasmos mentais o dia todo e sei que isso não tem nada a ver com paixão, mas com troca. Penso no prazer imenso quando alguém chega e me conta algo da vida, porque, sério, sinto tesão em ouvir as pessoas falando. Demorei muito tempo para entender porque cursei História, hoje sei que é porque sou fissurada nas histórias de cada uma das pessoas que passam pela minha vida. Penso nas frases que meu chefe solta, nas palhaçadas de uma colega de trabalho. Penso na satisfação do reencontro. 

Se isso não é amor, o que mais pode ser?

Mas, principalmente, penso em mim, me olho no espelho e lembro de todo o caminho até aqui e vejo o amadurecimento que conquistei. Eu chorei muito, choro ainda, eu fiquei largada na cama por caras babacas. Mas me sinto tão forte hoje que não consigo aceitar que alguém me diga que o amor que eu busco está em uma relação conjugal.

Portanto, se vocês estão nessa busca desenfreada pelo amor da vida de vocês parem agora.
O amor da gente é a gente mesmo.

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