Diário
de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 25:
Estava no meio de um sonho quando fui acordada, numa manhã quente de dezembro, por mão e dedos entre minhas pernas.
O sexo matinal sempre foi o meu preferido, mas naquele dia não.
O gosto típico de todas as manhãs logo se tornou amargo quando vi o que estava acontecendo, quando tentei me desvencilhar e não consegui, quando minha calcinha foi retirada, quando ainda zonza entendi o que estava acontecendo.
A princípio pensei em gritar, mas não quis acordar meus companheiros de casa que não saberiam o que fazer, depois o choque era tão forte que a única coisa que meu corpo sonolento conseguiu fazer foi esperar. Então a dor.
Dor por não entender o motivo do que tinha acontecido, dor ao perceber que era exatamente isso que ele queria que eu sentisse. Não por algum fetiche, mas por capricho, vingança.
Aquele que me despertara amor tempos antes havia agora tornado-se o meu algoz.
Então, percebi que a violência que sempre temi pelas ruas chegou quietinha e se deitou ao meu lado, na minha cama, na minha casa.
Nada fiz e pra poucos contei. Com tom de brincadeira, como faço com qualquer assunto que me atormenta.
Hoje me lembro com pesar, não por mim, mas por todas as mulheres que sofrem estupros (disfarçados, psicológicos e físicos) por aqueles que acreditam ser amadas e se calam. Por amor, por vergonha, por medo.
Hoje me lembro de um namorado que queria sexo sempre, que ficou bravo por eu ter preferido dormir do que fazer sexo no meu aniversário.
Hoje penso em como nós deixamos que outra pessoa tome conta de um templo que deveria ser apenas nosso.
Não sinto mais dor, nem vergonha.
Nem medo.
"Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito..."
Dia 25:
Estava no meio de um sonho quando fui acordada, numa manhã quente de dezembro, por mão e dedos entre minhas pernas.
O sexo matinal sempre foi o meu preferido, mas naquele dia não.
O gosto típico de todas as manhãs logo se tornou amargo quando vi o que estava acontecendo, quando tentei me desvencilhar e não consegui, quando minha calcinha foi retirada, quando ainda zonza entendi o que estava acontecendo.
A princípio pensei em gritar, mas não quis acordar meus companheiros de casa que não saberiam o que fazer, depois o choque era tão forte que a única coisa que meu corpo sonolento conseguiu fazer foi esperar. Então a dor.
Dor por não entender o motivo do que tinha acontecido, dor ao perceber que era exatamente isso que ele queria que eu sentisse. Não por algum fetiche, mas por capricho, vingança.
Aquele que me despertara amor tempos antes havia agora tornado-se o meu algoz.
Então, percebi que a violência que sempre temi pelas ruas chegou quietinha e se deitou ao meu lado, na minha cama, na minha casa.
Nada fiz e pra poucos contei. Com tom de brincadeira, como faço com qualquer assunto que me atormenta.
Hoje me lembro com pesar, não por mim, mas por todas as mulheres que sofrem estupros (disfarçados, psicológicos e físicos) por aqueles que acreditam ser amadas e se calam. Por amor, por vergonha, por medo.
Hoje me lembro de um namorado que queria sexo sempre, que ficou bravo por eu ter preferido dormir do que fazer sexo no meu aniversário.
Hoje penso em como nós deixamos que outra pessoa tome conta de um templo que deveria ser apenas nosso.
Não sinto mais dor, nem vergonha.
Nem medo.
"Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito..."
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