terça-feira, 9 de junho de 2015

02 de Junho de 2015.

Diário de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 70:
Contagem regressiva - 1 dia!

No último dia tem textão, sim senhor!

Finalmente estamos nós no meu último dia com 26 anos. Quando penso nisso, me desespero. Nunca mais terei esta idade, nunca mais viverei este dia. Por outro lado, tenho tantos dias e anos pela frente, tanta vida para ser vivida, tanto de tudo o que eu quiser e puder.

Ontem terminei meu penúltimo capítulo deste Diário falando de gratidão.
Sem dúvidas, a Carla que passou dos 25 para os 26 não tinha noção do que era sentir isso, essa palavra tão cheia de significado nunca tinha saído da minha boca. Mas hoje toma conta de todos os meus dias.

É claro que eu queria ter mais dinheiro, queria sair pelo mundo, queria mais liberdade e tempo. Mas, sério, minha gente, eu sou feliz pra carValho. Me sinto muito sortuda, impossível não ser grata pela chance de ter vindo pra esta vida, por ter nascido na família que nasci.
Minha mãe teria parto normal, mas por falta de dilatação nasci três dias depois do que devia. Engasguei várias vezes no meus dois primeiros dias de vida porque tinha engolido um monte de sujeira. Mas eu sobrevivi, acho que desde aquela época eu demonstrava como amaria a vida.

Confesso que fui uma pessoa deprimida por muitos anos, lembro de uma época que eu chorava diariamente, porque sou dramática e porque queria mais do que tinha. Chorava porque quem estava comigo me decepcionava, chorava porque eu não era como queria ser.
No entanto, ontem me dei conta que faz um tempão que não fico realmente deprimida. Se não tem ninguém me acuando ou artéria cortada eu só tenho lágrimas de emoção.
Com o tempo percebi que o problema não é criar expectativas, o problema é achar que o outro não pode desistir e errar, mesmo quando você erra e desiste de tanta coisa. O problema é que as pessoas usam o bordão do “desapega, desapega” sem pensar que não há problema algum em se aproximar e permanecer ao lado de alguém, contanto que saibam que esse alguém tem todo o direito de ir embora quando quiser, assim como nós também temos.

O primeiro post deste Diário foi apenas um ato impulsivo, eu sempre falava sobre coisas do meu universo, enquanto mulher sozinha. Não pensei em dias, nem em duração (O fato dele terminar no septuagésimo dia é apenas uma coincidência). Fora que eu nunca achei que conseguiria manter um ritmo, já que nunca consigo fazer nada por muito tempo e vivo enrolada. Mas, as coisas para serem ditas foram surgindo e eu curti demais a interação. Tantas pessoas que gosto vieram falar comigo, pessoas que eu não esperava e até pessoas que eu nunca vi.
Mas também teve uma galera que não curtiu, achou exposição demais. Eu acredito que não há diferença entre usar minhas próprias palavras e compartilhar links com as palavras de outras pessoas ou até imagens. Eu sei que nem sempre fui compreendida e sei que alguns falaram que pareço uma pessoa difícil de lidar baseado nas coisas que digo.
No entanto, as críticas – quando não escondem ameaças – só agridem que não tem confiança no que está fazendo.

Ontem eu ouvi que sou feminista, de um jeito pejorativo. Eu não acho que defender igualdade seja algo rotulável. Eu defendo a chance da mulher ter os mesmos direitos e tratamento que os homens. Assim como defendo o direito dos homossexuais amarem e se relacionarem como os heterossexuais. Assim como defendo o direito dos animais serem amados e respeitados como nós humanos.
Me desculpem, mas eu não vou ignorar, não vou me calar. Talvez essa fosse uma atitude mais tranquila, mas NUNCA vou entender o que leva um cara a achar que ele tem o direito de me impor mensagens, ligações, perseguições e até elogios que são apenas demonstrações de uma crença na superioridade do corpo e sexo. Como sempre digo, eu – nem qualquer um de nós – NÃO sou um pedaço de carne. Não vim ao mundo para alimentar e suprir a lascividade de ninguém.

É claro que eu tenho minhas próprias visões distorcidas das coisas, tive que me auto flagelar muito para aprender.
Quando olhei para trás percebi que nos meus últimos aniversários me senti feliz porque eu tinha um namorado, alguém para ficar ao meu lado. Então, há alguns meses percebi que estaria apenas comigo aos 27, isso me desesperou. Mas, finalmente, enxerguei que essa era minha chance de me sentir plena sozinha, porque foi assim que vim para esta existência.
Percebi que uso bastante o advérbio de condição “mas”. Mas (haha) é porque acredito que nada é acabado, você pode sempre ver a coisa de forma diferente, de acordo com o ângulo que olhar. O importante é saber respeitar aquele que está olhando por um lado oposto ao seu.
A Carla de 26 não diria uma boa parte do que falei por aqui, ela ainda estava magoada demais para parar, respirar e ver a vida de outro jeito. Mas, finalmente percebeu que tudo o que passou levou a um amadurecimento que só a Carla de quase 27 poderia desfrutar.

Cada post no Diário me fazia pensar “Carla, você chegou até aqui. Seja mais forte que a sua carência. Aprenda a te dar o amor que você sempre procurou”. Não foi sempre fácil, mas eu posso dizer que nunca passei uma transição de aniversário me amando tanto, sendo tão apaixonada por mim.
É claro que sou cheia de defeitos e tenho uma porção de coisas para melhorar, e eu tô super disposta pra aprender, pra crescer, pra evoluir.

Toda a minha gratidão por vocês que me leram, que me acompanharam, que me deram força.
Eu defendo – e tento aprender – que devemos ser plenos sozinhos, mas não acho que seja antagônico falar que ter com quem conversar e buscar conselhos seja muito bom. A gente tem que saber ouvir, mas tem que saber encontrar as próprias respostas.
Minha imensa gratidão aos encontros da vida, a todos os sentimentos bons que saem de vocês e chegam até mim, de forma física ou virtual.
A felicidade por poder comemorar mais um aniversário - que é uma coisa que amo - é minha, vem de mim. No entanto, seria impossível não fosse cada uma das pessoas que passaram e passam pela minha vida me ensinando tanto.
Eu só tenho que agradecer mesmo.

Vinte e sete, pode vir quente que eu estou fervendo! rs

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