Diário de uma garota solteira, com quase 27 anos.
Dia 45:
A disciplina de História da África foi uma das minhas preferidas durante a graduação. Hoje estava rememorando o curso e me lembrei de uma aula em que a professora falou sobre a ocorrência nos países africanos de infibulação, ou seja, a prática que consiste na costura dos lábios vaginais ou do clitóris, feita com pontos ou espinhos; nestes casos, é deixada apenas uma abertura pequena para urina e menstruação.
As justificativas apontadas são muitas: As famílias acreditam que, mutiladas, as filhas poderão se casar com homens "melhores". Isto porque algumas culturas acreditam que os órgãos femininos são impuros e a prática traz higiene. Com a retirada do clitóris, também acreditam que as possibilidades de acontecerem relações sexuais extraconjugais são diminuídas.
Imaginem a reação de uma sala de 40 alunos que nunca haviam ouvido sobre isso.
Aposto que qualquer um que leia ou escute qualquer relato se arrepiará.
Parece muito fácil criticar uma cultura diferente da nossa, afinal, o erro sempre está no outro, não é?
Aí fico pensando nos métodos que a nossa sociedade usa para nos mutilar: "Uma garota não deve falar isso"; "Você não pode mostrar o que pensa"; "A rua é mais segura se você estiver acompanhada"; "Sua maquiagem está muito chamativa"; "Não se vista assim"; "Uma mulher de respeito não usa saia curta"; "Você não pode beijar mais de um cara em uma noite"; "Você não pode falar tanto sobre sexo", "Não compartilhe o que você faz"; "Se cale".
Acredito que existem várias formas de mutilação.
Mas tenho certeza que a psicológica ainda é a pior.
Dia 45:
A disciplina de História da África foi uma das minhas preferidas durante a graduação. Hoje estava rememorando o curso e me lembrei de uma aula em que a professora falou sobre a ocorrência nos países africanos de infibulação, ou seja, a prática que consiste na costura dos lábios vaginais ou do clitóris, feita com pontos ou espinhos; nestes casos, é deixada apenas uma abertura pequena para urina e menstruação.
As justificativas apontadas são muitas: As famílias acreditam que, mutiladas, as filhas poderão se casar com homens "melhores". Isto porque algumas culturas acreditam que os órgãos femininos são impuros e a prática traz higiene. Com a retirada do clitóris, também acreditam que as possibilidades de acontecerem relações sexuais extraconjugais são diminuídas.
Imaginem a reação de uma sala de 40 alunos que nunca haviam ouvido sobre isso.
Aposto que qualquer um que leia ou escute qualquer relato se arrepiará.
Parece muito fácil criticar uma cultura diferente da nossa, afinal, o erro sempre está no outro, não é?
Aí fico pensando nos métodos que a nossa sociedade usa para nos mutilar: "Uma garota não deve falar isso"; "Você não pode mostrar o que pensa"; "A rua é mais segura se você estiver acompanhada"; "Sua maquiagem está muito chamativa"; "Não se vista assim"; "Uma mulher de respeito não usa saia curta"; "Você não pode beijar mais de um cara em uma noite"; "Você não pode falar tanto sobre sexo", "Não compartilhe o que você faz"; "Se cale".
Acredito que existem várias formas de mutilação.
Mas tenho certeza que a psicológica ainda é a pior.
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