Bem, cá estou eu sentada na mesa da cozinha do meu apartamento sozinha.
Vinte e sete anos completos e os mesmos medos de quando tinha dezessete.
Gostaria de dizer que passei os setenta dias do meu Diário, do projeto inicial dele, com o coração vazio. Mas seria mentira.
Duas semanas antes do meu aniversário, misteriosamente, olhei para um cara que já havia olhado diversas vezes. Mas, desta vez, o enxerguei. Parei, olhei novamente. E gostei.
Depois de tanto tempo de sofrimento, tanta dor sem sentido, a gente acaba ficando ressabiado. E se acha idiota pelos sorrisos bobos, suspiros infindáveis e interesse incontrolável.
Se você me perguntar se eu gostei, eu vou responder que odiei. Detesto essa sensação de descontrole!
Por outro lado, essas substâncias malditas fazem com que eu me sinta mais bonita. Maldita biologia!
Quando penso de forma racional me lembro de todas as vezes que isso aconteceu e o resultado sempre foi negativo.
Então escuto a voz da minha amiga: Para, Carla. Você não pode se blindar para sempre!
A verdade é que eu adoro ser solteira, acho uma delícia.
Mas, diariamente, olho com cara de patolina para a tela do computador.
Aguardemos os próximos capítulos!
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